1. INTRODUÇÃO
Caríssimos filhos e filhas em Cristo,
Em virtude do ministério episcopal que me foi confiado pela Igreja e movido pelo dever de confirmar os irmãos na fé, dirijo-me especialmente aos presbíteros, diáconos e seminaristas desta Igreja particular para tratar, à luz dos Evangelhos e das Cartas Apostólicas, do munus episcopal e do respeito, da obediência e da comunhão que devem caracterizar a relação do clero com o bispo.
Esta carta nasce do espírito de paternidade pastoral e do desejo sincero de preservar a unidade, a disciplina e a dignidade da vida eclesial. Tudo na Igreja deve ser vivido com decoro e ordem, pois Deus não é Deus de confusão, mas de paz.
2. O Munus Episcopal À Luz Da Revelação
Nos Santos Evangelhos, o Senhor confia aos Apóstolos uma missão que se perpetua na Igreja por meio da sucessão apostólica: ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações. O bispo, como sucessor dos Apóstolos, participa plenamente do tríplice munus de Cristo: ensinar, santificar e governar. Ele não age em nome próprio, mas em nome de Cristo Cabeça e Pastor da Igreja. Por isso, quem ouve os legítimos pastores, ouve o próprio Cristo.
3. O Respeito Devido A Todo Bispo Da Igreja
É doutrina constante da Igreja que todo bispo, legitimamente constituído, deve ser respeitado em qualquer território onde exerça seu ministério, independentemente de jurisdição direta. O respeito ao bispo não se limita ao ordinário local, mas estende-se a todos os bispos da Igreja, pois todos participam do mesmo colégio episcopal, em comunhão com o Romano Pontífice. Desconsiderar ou desrespeitar um bispo é ferir a própria ordem eclesial e o testemunho da Igreja.
4. Presbíteros e Diáconos: Comunhão, Obediência e Reverência
Aos presbíteros, primeiros cooperadores do bispo, recordo que o ministério sacerdotal só se compreende plenamente em comunhão hierárquica. Somos cooperadores de Deus e servidores do mesmo rebanho, chamados à fidelidade, à lealdade e à comunhão pastoral. Aos diáconos, configurados a Cristo Servo, exorto a viverem o ministério com humildade, respeito e espírito de serviço, lembrando que quem é fiel no pouco também o será no muito. Esta comunhão manifesta-se também em gestos concretos e visíveis, como a escuta obediente, a linguagem respeitosa, a postura reverente e a fidelidade às orientações pastorais do bispo.
5. Pronomes de tratamento e o pedido da bênção episcopal
Recordo com clareza que o uso dos pronomes de tratamento adequados ao bispo não é mero formalismo, mas expressão externa de uma realidade espiritual e hierárquica. Do mesmo modo, é dever dos presbíteros, diáconos e seminaristas pedir a bênção episcopal, tanto em encontros formais quanto informais, como sinal de comunhão, respeito e reconhecimento da paternidade espiritual do bispo.
6. Os seminaristas e a formação para a vida eclesial
Aos seminaristas, recordo que a formação sacerdotal deve moldar não apenas a inteligência, mas o coração. A obediência, o respeito à hierarquia e o amor à Igreja aprendem-se desde o tempo do seminário. Não se aprende a ser pastor sem antes aprender a ser filho fiel da Igreja.
7. Exortação final
Exorto-vos, caríssimos irmãos, a viverdes a comunhão eclesial com maturidade espiritual, espírito de fé e caridade sincera, pois onde há unidade, ali o Senhor concede a sua bênção. Confio esta Diocese à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, e concedo a todos, de coração, a minha bênção apostólica.
Dado em Grão Pará, sob minha assinatura e selo episcopal.
Em Cristo, Bom Pastor,
Bispo Eleito
MONS. LEONY MARIANO MORELLI
Secretário-Geral

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