Homilia Ordenação Arthur

 Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo Nosso Senhor,

Hoje o céu e a terra se unem em ação de graças. A Santa Igreja se reveste de júbilo, pois o Senhor continua a manifestar a fecundidade de sua graça, chamando operários para a sua messe. Hoje contemplamos um mistério que atravessa os séculos, que nasce no Cenáculo e se perpetua sobre cada altar: a ordenação sacerdotal do Diácono José Arthur.

A Igreja nunca deixa de se maravilhar diante do sacerdócio, porque ele não nasce da vontade humana, nem de méritos pessoais, mas do insondável amor de Deus. Como recorda a Carta aos Hebreus:

“Ninguém toma para si esta honra, senão aquele que é chamado por Deus, como Aarão” (Hb 5,4).

José Arthur, hoje não és tu que escolhes o sacerdócio; é Cristo quem te escolhe. Hoje não és elevado a uma dignidade mundana, mas és configurado a Cristo de modo novo, profundo e irrevogável. A partir deste momento, tua vida deixa de pertencer-te inteiramente, pois passará a pertencer ao povo de Deus, à Igreja e, sobretudo, ao próprio Cristo.

O sacerdote é, por excelência, outro Cristo. Não por mérito próprio, mas pela graça do sacramento. São Paulo expressa este mistério com palavras que devem ecoar continuamente no coração de todo sacerdote:

“Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

Esta é a essência do sacerdócio: permitir que Cristo viva, fale, absolva, consagre e ame através de ti.

Desde os tempos apostólicos, a missão do sacerdote sempre foi tríplice: anunciar a Palavra, santificar pelo culto e conduzir o povo de Deus como pastor. São Paulo, escrevendo a Timóteo, adverte:

“Proclama a Palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, exorta e ensina com toda paciência e doutrina” (2Tm 4,2).

O sacerdote não anuncia ideias próprias, nem opiniões pessoais, nem tendências passageiras. O sacerdote anuncia Cristo, e Cristo crucificado. Ele é guardião do depósito da fé, servidor da verdade e administrador dos mistérios divinos.

E aqui, com toda clareza e caridade, é necessário recordar algo particularmente importante neste contexto em que esta ordenação ocorre: ser sacerdote, mesmo dentro do universo do Minecraft, não é sobre estética religiosa, não é sobre paramentos pixelizados, não é sobre disputas acerca de qual liturgia aparenta maior solenidade externa. Tudo isso pode possuir valor pedagógico e simbólico, mas jamais pode ocupar o centro do ministério sacerdotal.

O centro é sempre e somente Cristo.

São Paulo escreve aos Coríntios:

“Quando fui até vós, não fui com prestígio de palavra ou de sabedoria anunciar-vos o mistério de Deus. Pois decidi nada saber entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1Cor 2,1-2).

Eis a medida do verdadeiro sacerdote: aquele que não busca aparecer, mas fazer Cristo aparecer; aquele que não deseja aplausos, mas conversões; aquele que não procura vencer discussões, mas salvar almas.

José Arthur, hoje recebes o poder sublime de oferecer o Santo Sacrifício da Missa. A partir deste momento, tuas mãos tocarão o Corpo do Senhor, tua voz pronunciará as palavras que fazem descer o Céu à terra, e teu coração deverá tornar-se altar vivo de caridade. O sacerdote é homem do altar, mas também homem do confessionário, homem da escuta, homem da caridade silenciosa e perseverante.

São Paulo, escrevendo aos Efésios, recorda que Cristo constituiu ministros para edificação do seu Corpo:

“Ele concedeu uns como apóstolos, outros como pastores e doutores, para o aperfeiçoamento dos santos e para a edificação do Corpo de Cristo” (Ef 4,11-12).

O sacerdócio é edificação. É construir, não dividir; é reunir, não dispersar; é conduzir, não dominar.

Mesmo dentro do ambiente virtual do Minecraft, onde se erguem templos de blocos e se celebram liturgias simbólicas, a missão do sacerdote permanece gravíssima e profundamente real em seu significado espiritual. Ali também há jovens sedentos de sentido, pessoas feridas, almas que talvez nunca tenham tido contato verdadeiro com Cristo. E é precisamente para essas almas que o sacerdote é enviado.

O sacerdote não é ordenado para cultivar preferências pessoais, mas para levar a misericórdia divina. Não é ordenado para ser árbitro de gostos religiosos, mas para ser sinal visível do amor de Deus.

São Paulo escreve aos Romanos:

“O amor de Cristo nos impele” (2Cor 5,14).

Este deve ser o motor da tua vida sacerdotal: não o reconhecimento, não a admiração, não a autoridade humana, mas o amor de Cristo que impulsiona, que consome, que exige entrega total.

O sacerdócio também é cruz. Cristo chamou os Apóstolos não para uma vida de conforto, mas para uma vida de doação. Quantas vezes o sacerdote será incompreendido, cansado, silenciosamente sacrificado! E, no entanto, é precisamente neste sacrifício que ele se torna mais semelhante ao seu Senhor.

São Paulo, ao final de sua vida, declara com serenidade:

“Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13).

Esta deve ser tua confiança. Não nas próprias forças, mas na graça que hoje te será concedida.

Recorda sempre que o sacerdote é homem de Deus antes de ser homem das atividades. Se perderes a oração, perderás o sacerdócio em sua essência. Se abandonares a intimidade com Cristo, tudo o mais se tornará apenas função, jamais missão.

Que tua vida seja profundamente eucarística. Que cada Missa celebrada seja oferecida com reverência, com fé e com amor. Que cada absolvição seja concedida com misericórdia. Que cada palavra proclamada seja semeada com esperança.

Volta teu olhar para Maria Santíssima, Mãe dos sacerdotes. Ela formou o Sumo e Eterno Sacerdote no silêncio de Nazaré. Que Ela te ensine a guardar Cristo no coração e a oferecê-Lo ao mundo com humildade e pureza.

Olha também para os santos sacerdotes da Igreja, que não buscaram grandezas humanas, mas santidade silenciosa. Eles são prova viva de que o sacerdócio floresce não no brilho exterior, mas na fidelidade cotidiana.

José Arthur, daqui a pouco tu te prostrarás diante do altar, sinal de entrega total. Quando te levantares, já não serás o mesmo. Serás sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Que possas viver este dom com temor santo, com alegria sobrenatural e com fidelidade até o último suspiro.

E que, ao final da tua caminhada, possas repetir com São Paulo:

“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4,7).

Assim seja.

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem